Rio - Depois
de 18 anos se desdobrando para criar combinações em cima
do verde e branco da Imperatriz, Rosa Magalhães trocou sua
cartela de cores. Simpatizou com o azul, com o vermelho e o
branco da União da Ilha do Governador e se prepara agora
para uma nova fase de sua consagrada carreira artística.
Aos 61 anos, a maior campeã da história do Sambódromo está
de malas prontas para a tricolor insulana. 'Quero ganhar o
Carnaval. Não podemos entrar só para participar. Temos que
disputar senão não tem graça', revelou.
Como
foi a negociação com a União da Ilha?
Rosa: Eles
me chamaram e eu resolvi aceitar o convite. Achei legal a
ideia de fazer uma escola que vai abrir o desfile. Isso
nunca aconteceu comigo. Será um desafio. Agora é tudo
festa, mas depois começa a ralação e a definição do
enredo.
Você
não tem medo do peso da responsabilidade ficar todo sobre a
sua cabeça?
Não tem
isso não. Todos vão trabalhar. Já foi tudo conversado.
E a
Imperatriz?
Não quero
falar sobre isso. Só estou com vontade de falar sobre a União
da Ilha.
Levará
alguém que trabalhava com você na Imperatriz?
Vou levar o
Mauro Leite, que é meu braço direito. O resto da equipe eu
vou conhecer ainda no barracão da Ilha.
A
Ilha é conhecida por fazer desfiles irreverentes e com
fantasias leves. Pretente mudar esse estilo?
De jeito
nenhum. A escola vai continuar assim. Posso dizer que será
meia alicce e meia mussarela. A União da Ilha precisa
continuar com seu estilo leve.
Lembra-se
de algum desfile marcante da União da Ilha?
Lembro bem
do 'Domingo' (77) e do 'Amanhã' (78). Foram bem marcantes
na década de 70.
Em
algum momento você chegou a pensar em se aposentar do
Carnaval?
Juro que não.
Aposentadoria é uma coisa e desanimar é outra. Mas eu faço
tanta coisa que a cabeça não para nunca. É série de
televisão, peça de teatro, ópera e o carnaval. Estou numa
fase que saio todo os dias de casa bem cedo e só volto à
noite. Não preciso de gás nenhum, mas uma hora a
aposentadoria vai chegar. Não é agora.
Como
pretende se relacionar com a comunidade na escola?
Da mesma
forma que eu fazia antes: estando na quadra de vez em
quando, no dia na escolha do samba e por aí vai. Não tem
problema a quadra ser longe porque durante muito tempo
eu fui para o Fundão (local onde fica a Escola de
Belas-Artes da UFRJ onde Rosa foi professora) e não tinha
problema.
Se
pudesse mandar uma mensagem para o torcedor da Ilha qual
seria?
Quero ganhar
o Carnaval. Não podemos entrar só para participar. Temos
que disputar senão não tem graça.
A Liesa anunciou recentemente que pretende
diminuir o número de componentes e alegorias nos desfile. O
que você acha disso?
Acho ótimo.
É bem melhor ter somente sete carros na Avenida. Tá vendo
só...eu estava certa.
Não
quer mesmo falar sobre a saída da Imperatriz?
Não tenho mágoa.
O Carnaval é assim mesmo. Pode ver por aí que o
troca-troca ainda nem acabou. Mas eu disse que não iria
falar sobre isso.