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A
5 de Setembro de 1567, a Ilha de Paranapuã passava a
designar-se por Ilha do Governador.

Ilha do Governador
A
Ilha do Governador localiza-se no lado ocidental do interior
da baía de Guanabara, no estado do Rio de Janeiro, Brasil.
Com uma superfície de 33,53 quilómetros quadrados,
compreende catorze bairros da cidade do Rio de Janeiro - Bancários,
Cacuia, Cocotá, Freguesia, Galeão, Jardim Carioca, Jardim
Guanabara, Moneró, Pitangueiras, Portuguesa, Praia da
Bandeira, Ribeira, Tauá e Zumbi -, com uma população total
de, aproximadamente 250 mil habitantes. Tradicionalmente
residencial, actualmente apresenta características mistas,
compreendendo ainda indústrias, comércio e serviços.
História
Descoberta
em 1502, por navegadores portugueses, os Temiminós foram os
seus primeiros habitantes. Chamavam-na de Ilha de Paranapuã,
sendo também chamada de Ilha dos Maracajás (espécie de
grandes felinos, então abundantes na região), pelos Tamoios,
inimigos dos Temiminó.

Caboclo araibóia
Terra
natal de Araribóia, foi abandonada pelos Temiminós, em
conseqüência dos ataques de inimigos Tamoios e traficantes
franceses de pau-brasil, definitivamente expulsos em 1567,
pelos portugueses.
O nome Ilha do Governador surgiu somente a partir de 5 de
Setembro de 1567, quando o Governador Geral do então Estado
do Brasil (e interino da Capitania do Rio de Janeiro), Mem de
Sá, doou ao seu sobrinho, Salvador Correia de Sá (o Velho),
Governador e Capitão-general da Capitania Real do Rio de
Janeiro de 1568 a 1572), mais da metade do seu território.
Correia de Sá, futuro governador da capitania, transformou-a
num latifúndio produtor de cana-de-açúcar, onde um engenho
produzia açúcar, exportado para a Europa nos séculos XVI,
XVII e XVIII.
No século XIX, o Príncipe-Regente D. João utilizou o seu
espaço como coutada para a caça. Segundo a tradição,
conta-se que a Praia da Bica recebeu este nome por uma fonte
que costumava servir de banho ao jovem príncipe D. Pedro,
mais tarde D. Pedro I (1822-1831).

Mem de Sá
O
desenvolvimento da Ilha do Governador só ocorreu a partir da
ligação regular da ilha com o continente, efectuada por
barcas a vapor com atracadouro na Freguesia desde 1838. Mais
tarde, outros atracadouros foram construídos no Galeão e na
Ribeira, integrando a área da economia do café e da
actividade industrial (produção de cerâmica).
No início do século XX, os autocarros chegaram à Ilha,
efetcuando a ligação interna de Cocotá à Ribeira (1922),
percurso estendido posteriormente até ao Bananal e a outros
pontos. Também é neste século que se instalam as unidades
militares: a Base Aérea do Galeão, os quartéis dos
Fuzileiros Navais e a Estação de Rádio da Marinha, época
em que o bairro se constituía num balneário para a classe média
da cidade do Rio de Janeiro.
Em 23 de Julho de 1981, através do Decreto nº 3.157, do então
prefeito Júlio Coutinho, ao tempo do Governador Chagas
Freitas, o bairro da Ilha do Governador foi oficialmente
extinto e transformado nos seus actuais catorze bairros
oficiais.
Brasão
O
brasão da Ilha do Governador é um escudo heráldico português,
arredondado na base e formando ângulos rectos na parte
superior, encimado por uma coroa mural de cinco torres de
ouro, símbolo da cidade-capital.
Dos lados, dois golfinhos, símbolo de povoação marítima,
tendo ao lado direito a data de 1568, data da doação da
sesmaria de mais da metade das terras da ilha, concedida por
Mem de Sá, Governador-geral do Estado do Brasil, a Salvador
Correia de Sá, o Velho, 2º Governador da Capitania do Rio de
Janeiro.
Do lado esquerdo, a data de 1961, de criação do Brasão de
Armas da Ilha do Governador, ambos os números em vermelho. Em
baixo, ainda em vermelho, a legenda "Governador",
referente ao nome da ilha e ao cargo de Salvador Correia de Sá.
Divisão quartelada, sendo o 1º quartel (à direita), sobre
fundo branco (prata) um arco em vermelho disparando ema
flecha, simbolizando a primitiva ocupação índigena da ilha.
No 2º quartel (em baixo, à direita), sobre fundo vermelho, o
retrato de Salvador Correia de Sá. À esquerda, no 1º
quartel, sob fundo azul, a Matriz de Nossa Senhora da Ajuda,
em ouro (amarelo), simbolizando a criação da Freguesia de
mesmo nome, em 1710.
Em baixo, sob fundo azul, as armas da Aeronáutica (asas) e da
Marinha (uma âncora), em ouro (amarelo), simbolizando a ocupação
militar da Ilha.
Em heráldica, o vermelho simboliza a vitória, com sangue,
sobre o inimigo. No Brasão, o vermelho simboliza a vitória,
decisiva, para a conquista do Rio de Janeiro pelos
portugueses.

Estado da Guanabara
No
período de 1961 a 1975, o Brasão de Armas da Ilha do
Governador teve uma estrela de prata sobre a coroa mural de
ouro, simbolizando o estado da Guanabara. Com a fusão, em
1975, o Brasão perdeu a estrela.
Transportes
e acessos
O
bairro é servido pela Estrada do Galeão, principal via de
acesso que, graças à Linha Vermelha, coloca a Ilha a 30
minutos da Zona Sul do Rio de Janeiro.
O grande marco do desenvolvimento da Ilha, foi a construção
das pontes, ligando a Ilha do Governador à do Fundão e essa
ao continente, em 1949. A linha de ónibus Mauá - Governador,
da Companhia Paranapuã, foi a primeira a fazer a travessia de
passageiros, pela nova ligação. Seis anos depois, em 1955, a
Viação Ideal chegou com as suas linhas. As duas empresas
operam até hoje no bairro e são responsáveis por quase
todas as linhas internas e de ligação com o continente.

Barcas no Cocotá
A
partir de 1986 foi reactivada a travessia marítima entre a
Praça XV e a Ribeira, por serviço de barcas, ocasião em que
o serviço de aerobarcos (hoje desactivado) voltou a operar,
realizando o mesmo percurso, em 12 minutos. Hoje em dia as
Barcas se localizam no Cocotá e a viagem para a Praça XV
demora cerca de 50 minutos.
Actualmente, o acesso por transporte público para a Ilha do
Governador, é seu maior problema, fruto de poucas opções e
empresas com péssima qualidade, e a proliferação de serviços
alternativos (kombis e vans piratas) sem nenhum controle do
poder público.
A restrição de mais opções de transportes por ónibus e de
novas linhas, consentida por órgãos municipais, é um grave
problema para a população do bairro. Não há linhas
directas com a Barra da Tijuca e Jacarepaguá, por exemplo.
O
Aeroporto internacional

Aeroporto do Galeão
Em
1952, foi inaugurado o Aeroporto do Galeão, ampliado em 1977
para atender linhas internacionais (Aeroporto Internacional do
Rio de Janeiro). Maior complexo aeroportuário da época, com
capacidade inicial para seis milhões de passageiros/ano, o
antigo Galeão passou a operar como Terminal de Cargas. O
Aeroporto internacional, depois Aeroporto Internacional do Rio
de Janeiro - Galeão - António Carlos Jobim, actualmente
consta de dois Terminais de Passageiros, um Terminal de Cargas
da INFRAERO (TECA), um Terminal da Empresa Brasileira de
Correios e Telégrafos, um Terminal de Cargas da VARIG LOG e
um Hangar Industrial da Varig Engenharia e Manutenção. Como
é um aeroporto misto (civil e militar), ainda conta com o
chamado "Galeão Velho" para operações do Correio
Aéreo Nacional (CAN) e para recepção e entrega de carga
junto às empresas transportadoras de carga aérea, sem contar
que as aeronaves militares, que pousam no Tom Jobim, têm como
destino o pátio militar, localizado na Base Aérea do Galeão.
Indústria,
Comércio e Serviços
A
tradição manufatureira da ilha remonta às caieiras
coloniais, ampliada a partir da década de 1860
quando se iniciou a fabricação de produtos cerâmicos,
telhas e tijolos, que deram nome à praia da Olaria. Essa
actividade foi reforçada na década seguinte pela inauguração
da "Fábrica de Produtos Cerâmicos Santa Cruz"
(1873), nas terras da antiga Fazenda da Conceição, actual
Jardim Guanabara.
No século XX, a partir da década de 1970, o estaleiro
Transnave instalou-se na Ribeira e, posteriormente, o Eisa
(ex-Emaq), na praia da Rosa, fabricando embarcações de
grande porte.
Destaca-se ainda a presença de dois complexos industriais
transnacionais, produzindo aditivos e óleos lubrificantes: a
Shell, na Ribeira, e a Exxon, no Zumbi.
O governo municipal encontra-se presente, através de escritórios
da Divisão de Conservação e Obras, do Departamento de
Fiscalização e Edificações e de uma gerência da Comlurb.
Hospital
da Aeronáutica
Subsidiariamente,
a ilha conta com um destacamento do Corpo de Bombeiros, uma
delegacia de Polícia Civil (a 37a.), um batalhão de Polícia
Militar (o 17°), um Fórum regional (Cartório de Registo
Civil, duas Varas Cíveis, uma de Família, uma Criminal com
Tribunal do Júri, uma Subsecção da OAB/RJ e um escritório
da Defesa Pública), agências de Correios, dois hospitais de
porte (Hospital Nossa Senhora do Loreto e Hospital da Aeronáutica),
agências dos principais bancos, dezenas de escolas do ensino
básico ao superior, dezenas de clínicas das mais diversas
especialidades e centenas de estabelecimentos comerciais,
muitos concentrados em torno do shopping center que já chegou
a abrigar duas salas de cinema, hoje inexistentes. As últimas
do bairro sem se levar em conta também o cinema Drive-In,
localizado no bairro do Galeão, na entrada da Ilha , que
infelizmente, por falta de verbas, também veio a encerrar
suas actividades recentemente, deixando a Ilha do governador
sem nenhuma opção de cinema, temporariamente.
Estão ainda activos os tradicionais Lions e Rotary, em
conjunto com a comunidade, oferecendo cursos
profissionalizantes e palestras.
No tocante ao lazer, os moradores e visitantes contam com sete
grandes clubes (Iate Clube Jardim Guanabara, Governador Iate
Clube, Jequiá Iate Clube, Esporte Clube Jardim Guanabara,
Esporte Clube Cocotá, Associação Atlética Portuguesa e
Associação Cristã de Moços), dois teatros (Óperon e Lemos
Cunha), inúmeras casas nocturnas, entre elas La Playa na
Praia da Bica, bar e boate muito apreciados, Chuá na rua
Cambaúba, Sushiro especializado em comida japonesa também na
mesma rua, diversos quiosques em suas praias destacando-se o
Shimaki Temakeria na Praia da Bica, Macanudos próximo ao
shopping, Planeta na Ribeira que está instalado na praça da
Ribeira, onde existe uma grande variedade de bares e
restaurantes. Outro restaurante que merece destaque é o
Capitania dos Copos, localizado em Tubiacanga, um bairro
formado por uma colónia de pescadores.
Patrimônio
histórico e cultural
Destacam-se,
na Freguesia, a Igreja de Nossa Senhora da Ajuda (património
nacional) em frente da qual se localiza a herma em homenagem
ao escritor Lima Barreto. No Jardim Guanabara, a Igreja de
Nossa Senhora da Conceição. O entorno da praia do Engenho
foi transformado em área de preservação ecológica, através
da construção de um parque municipal (Parque [professor]
Marcello de Ipanema).
Desfile
da Escola de Samba União da Ilha
Três
escolas de samba marcam a sua presença no Carnaval carioca: a
União da Ilha, o Boi da Ilha e a Acadêmicos do Dendê.
Por sua característica territorial geograficamente definida e
uma população que supera a de alguns municípios
fluminenses, a Ilha conta com uma imprensa regional desde Maio
de 1900, quando circulou o primeiro periódico local: O
Suburbano. Mais de vinte outros se seguiram, até aos nossos
dias.
Além de sediar a difusora AM Rádio Rio de Janeiro, a Ilha
conta também com duas academias de Letras e Artes e contava
com duas galerias de Exposição - o Retiro das Artes e o
Ateliê Flutuante Francisco Xavier -, sendo que este último
foi desatcivado, porque corroído pela maresia e hoje só
restam alguns destroços do barco, no local. A Ilha possui um
centro integrado de artes, a Casa de Cultura Elbe de Holanda,
que fica no bairro do Jardim Guanabara e vem procurando
difundir, juntamente com várias ONGs, a cultura e valores
nacionais.

Aterro do Cocotá
Recentemente, a Lona Cultural Renato Russo foi inaugurada no
Aterro do Cocotá, ampliando a actividade cultural no bairro
com preços populares e extensa programação de diferentes
manifestações artísticas. Diversas outras manifestações
culturais estão surgindo no bairro, que infelizmente no
momento, apesar de todo seu potencial, não possui nenhuma
sala de cinema e os teatros do bairro estão praticamente
desactivados.
Problemas
Os
repetidos confrontos entre a criminalidade das favelas e as
forças policiais, e mesmo entre facções rivais, pelo
controle do movimento do tráfico de entorpecentes e de armas
pesadas e munições, principalmente entre 2003 e 2004,
conduziu ao fecho eventual do comércio de bairros da região,
como Dendê e Cocotá, afectando particularmente a Estrada do
Dendê e a Avenida Paranapuã naquele período, facto
recorrente da falta de segurança pública brasileira. Além
disso, a forte poluição, que domina a Baía de Guanabara,
contribui para o gradual abandono da frequência das praias da
Ilha.
A ausência de opções culturais variadas (como a inexistência
de cinema ou de um bom shopping), além de áreas de lazer
melhor distribuídas são outros graves problemas do bairro.
Além disso, a Ilha sofre com o intenso fluxo de kombis e
vans, muitas vezes piratas, que provocam congestionamentos e
acidentes, com bastante freqüência. Fora isso, a inexistência
de uma saída alternativa à Estrada do Galeão, mesmo que
fosse um corredor segregado de ónibus, provoca grandes prejuízos
aos habitantes que, em algumas situações, chegam a perder
horas em engarrafamentos sem alternativa. O bairro também
conta com uma rede tímida de ciclovias, apesar do uso intenso
de bicicletas por seus habitantes.
Pontos
positivos

Estrada do Galeão
Os
moradores da ilha costumam enaltecê-la, tendo o termo
"insular" um significado especial, para quem é
dessa região das cidade.
A violênciada ilha contrasta, em boa parte, com áreas de
grande tranquilidade, especialmente em localidades extremas
dos bairros do Zumbi, Ribeira, Moneró, Portuguesa, Praia da
Bandeira, Freguesia e Jardim Guanabara, onde a ocupação é
estritamente residencial e o tráfego muito rarefeito, garante
um clima de absoluta tranquilidade considerando-se a
proximidade como o centro da metrópole.
Possui um comércio variado, desde o popular nos bairros do
Cacuia e Cocotá até as lojas mais para a classe média ao
longo da Estrada do Galeão, no Jardim Guanabara ou no
shopping do bairro. O dinamismo da economia do bairro só não
é maior pois a limitação do gabarito em três pavimentos -
devido à proximidade com o Aeroporto Internacional - reduz a
capacidade de criação de oportunidades e a criação de uma
concentração de atcividades com sinergia suficiente para
atrair grande movimento de diversas regiões da metrópole.
Apesar disso, boa parte da jovem mão de obra insular encontra
emprego nesse Aeoroporto. As melhorias recentes no Cocotá,
como a nova estação de barcas e o Rio Cidade
disponibilizaram, permitiu maior potencial económico que se
encontra paritcularmente num momento de esvaziamneto económico.

Baía da Guanabara
A
região por sua peculiar localização dentro da Baía de
Guanabara, conta com excelente ventilação, o que garante um
clima bem mais ameno, nos dias mais quentes de verão. Essa
vantagem, por outro lado, representa um risco quando se trata
de grandes tempestades, pois o bairro fica sujeito a fortes
vendavais e a incidência acima do comum, para a região de
chuva de granizo.
A arborização é bastante intensa, não apenas pela existência
de reservas naturais de Mata Atlântica dentro da área da
aeronáutica no Galeão e da Marinha no Jardim Guanabara, Bancários
e Bananal, mas também em diversas áreas públicas e
principalmente nos quintais das inúmeras residências por
todo o bairro, auxiliando na prevenção das terríveis
"ilhas de calor" que se formam em algumas regiões
pouco arborizadas e excessivamente construídas, dentro de
metrópoles. A APARU do Jequiá possui uma preservação do
ecossistema de manguezal bastante considerável, em função
de sua localização dentro da metrópole.

Jardim Guanabara
Ex-moradores e moradores
ilustres
Afonso
Henriques de Lima Barreto - escritor
Aroldo Melodia - puxador de samba
Bete Mendes
Brito - jogador da seleção na Copa de 1970
Buchecha - cantor
Cassiane - cantora gospel
Castro Gonzaga - ator
Chacrinha - radialista e apresentador de TV
Chiquinha Gonzaga
Cristina Mel - cantora gospel
Eduardo Galvão - ator da Rede Globo
Manoel dos Santos "Garrincha" e Elza Soares
Haroldo de Andrade
Jairinho Manhães -cantor e maestro gospel casado com a
cantora gospel Cassiane
Letícia Spiller - atriz
Gonzaguinha
Luiz Gonzaga
Miguel Falabella
Nílton Santos
Orlando Silva
Quarentinha - jogador de futebol
Rachel de Queiroz
Renato Russo - compositor e cantor
Roberto Dinamite
Rosane Muniz
Didi
Vinícius de Moraes - veraneava na Ilha do Governador
Wanderley Cardoso - cantor da Jovem Guarda
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