LANÇAMENTO DOS ENREDOS DO GRUPO A 2009

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Na festa de lançamento dos enredos das dez escolas de samba do Grupo de Acesso A, que aconteceu na noite desta segunda, 15 de Setembro, teve entre os pontos altos as apresentações das escolas Paraíso do Tuiti, União da Ilha e da escola anfitriã. Em três estilos distintos que escolheram para apresentar seus temas para o Carnaval 2009, as três conseguiram se sobressair no evento, que foi o primeiro promovido sob a chancela da Liga Independente das Escolas de Samba do Acesso A, a LESGA.

Leonel Brizola na Inocentes

A Inocentes de Belford Roxo foi a segunda a se apresentar. A escola que levará para a Avenida no ano que vem "Do Rio Grande do Sul ao Rio de Janeiro, a Inocentes canta Brizola - a voz do povo brasileiro", do carnavalesco Fran Sergio, se inspirou na pomba, símbolo da escola, para criar os figurinos das moças que abriram a apresentação junto com um garoto, representando o ex-governador na infância. Um balé formado por meninas vestidas de estudantes foi a forma encontrada de destacar uma das principais características da carreira política do gaúcho que morreu em 2004, e que tinha na educação uma de suas principais bandeiras. A trilha sonora teve clássicos da MPB como Aquarela, de Vinícius de Moraes e Toquinho, e Alegria, Alegria, de Caetano, referência ao período em que Brizola foi exilado pela ditadura militar. Ubiratan Silva, o Bira, que assim como Fran faz parte da comissão de carnaval da Beija-Flor, foi o narrador da apresentação da escola da Baixada.

Show da Tuiuti

Terceira a se apresentar, a Paraíso do Tuiutí foi a primeira que realmente agradou os convidados. A escola preparou um pequeno musical lembrando grandes nomes que fizeram do Cassino da Urca, que será o tema do desfile da escola, um dos mais badalados pontos da cidade, nas décadas de 30 e 40, até a proibição dos jogos de azar. Atores dublaram artistas que se apresentaram no palco do cassino como Grande Otelo, Dalva de Oliveira, Linda Batista, Cauby Peixoto e a notável Carmen Miranda. Ponto para o carnavalesco Eduardo Gonçalves e para o pessoal da Companhia de Talentos, responsáveis por uma das melhores apresentações da noite. Figurinos e maquiagem também foram pontos altos.

Império da Tijuca e Vitalino

O Império da Tijuca, que vai levar para a Avenida a reedição do enredo "O mundo de barro de Mestre Vitalino", o mesmo de 1976, usou um homem fantasiado de anjo para dar vida a outros participantes da apresentação que representavam os bonecos de barro criados pelo escultor ceramista e pernambucano de Caruaru. O enredo da escola levará a assinatura de Fábyo Santos.

 


Criatividade e sutileza na Ilha


A União da Ilha do Governador não precisou de narrador para deixar evidente qual será o tema da escola para 2009. Com oito integrantes da comissão de frente caracterizados de turistas, fazendo coreografias ao som de uma trilha sonora muito bem elaborada, que alternava ritmos de vários locais e sons característicos de floresta, por exemplo, era possível identificar os caminhos que os "viajantes" estavam percorrendo. O figurino dos turistas, camisas simples com aplicações de flores de plástico tiradas daqueles colares havaianos comprados mais barato que banana no Saara, foi mais um acerto do carnavalesco Jack Vasconcelos, autor do enredo "Viajar é preciso". Depois de passarem frio, curtirem praias pelo mundo, tomarem chuva, os "turistas" que estiveram no palco da Estácio chegaram, finalmente, ao Rio, no momento em que tocava "Samba do avião", de Tom Jobim, encerrando com Cidade Maravilhosa e com a bela participação de Bruna Bruno, rainha de bateria da Ilha. Sutileza, criatividade e pouco dinheiro utilizado na apresentação, que arrancou aplausos do público.

 


Rocinha com J. Carlos

A sexta escola a subir ao palco foi a Acadêmicos da Rocinha, que escolheu o enredo "Tem francesinha no salão... O Rio no meu coração", de Fábio Ricardo, inspirado nas charges de J. Carlos, considerado o maior cartunista do século 20. Sete dançarinas com trajes inspirados em personagens do artista fizeram coreografias ao ritmo de marchinhas carnavalescas de diversas épocas. Um personagem fantasiado de pierrô, que serviu de inspiração para J. Carlos em importantes criações.

Como assim, Renascer?

Em seguida, foi a vez de se apresentar a Renascer de Jacarepaguá, escola que reúne os carnavalescos Paulo Barros e Paulo Menezes, autores e responsáveis pelo desenvolvimento do enredo "Como vai, vai bem? Veio a pé ou veio de trem?", sobre os meios de transportes. Um grupo de sete atores representando uma crente, um gay, uma mãe de santo, uma loura fútil, entre outros, contou com a participação de Marcos Oliveira, o Beiçola, da "Grande Família", da Globo.

A simulação de uma fila com os personagens aguardando o ônibus que os levariam ao desfile da escola foi a maneira que a Renascer encontrou para tentar passar ao público a idéia do que vai levar para a Marquês de Sapucaí. O texto, pobre e cansativo, exaltou, em alguns trechos, a qualidade do trabalho de Paulo Barros. A união entre o estilo moderno de Barros e o tradicional e requintado de Menezes também foram citados desnecessariamente. Na apresentação mais longa da noite - foram 16 minutos, quando cada escola tinha direito a 10 e as que ultrapassaram não chegaram nem perto do tempo gasto pela agremiação da Zona Oeste - também foram mencionadas as coreografias criadas pelo artista que se projetou na Unidos da Tijuca, além de críticas às pessoas que escrevem comentários sobre as escolas na Internet. Elogios ao presidente Antonio Carlos Salomão e à quadra da escola também tiveram espaço na esquete, que ainda insinuou que uma das alegorias usadas na festa de encerramento das Olimpíadas de Pequim seria plágio da criação mais célebre de Barros: o carro da pirâmide humana. Os carnavalescos, talento inquestionável, não precisavam dessa auto-promoção. Muito menos a escola, que vem se firmando no grupo. No final, a turma embarcou no "ônibus", deixando o palco sob escassos aplausos.

Santa Cruz usou balé

Um grupo de bailarinos se apresentou, na primeira parte, com figurino de cores escuras com uma capa negra, simbolizando a devastação do planeta. Na segunda parte do balé, a capa negra deu lugar a um figurino branco, que representava a luta pela recuperação do meio ambiente. A agremiação conseguiu passar a idéia do desfile que terá como enredo "S.O.S Planeta Terra - Santuário da Vida", que está sendo desenvolvido por uma comissão de carnaval.

Caprichosos também foi de ônibus

Com o enredo "No Transporte da Alegria... Me leva Caprichosos a caminho da Folia!", tema parecido com o que a Renascer vai abordar, a Caprichosos abusou de sambinhas e pagodes bastante populares na sua apresentação. Encheu o palco de gente, também adotando uma fila de ônibus como idéia, assim como a co-irmã de Jacarepaguá. Numa apresentação despretensiosa, mas que também não incomodou, Sandro Gomes, o carnavalesco, colocou no palco um numeroso elenco vestindo roupas do dia-a-dia e simulando situações comuns ao cotidiano de quem utiliza transportes coletivos. Grávida de sete meses, a rainha de bateria e mulher do presidente da escola, Mel Britto, foi a última passageira a embarcar no "ônibus", que retirou os "passageiros" da azul e branco do palco.

Estácio fechou em grande estilo

Como anfitriã, coube à Estácio de Sá encerrar a apresentação dos enredos. E fez isso de maneira competente. A escola vai falar da chita, tecido originário da Índia que atravessou continentes até chegar ao Brasil, com o enredo "Que chita bacana", de Cid Carvalho. A vermelho e branco montou no palco uma reedição do Cassino do Chacrinha, com chacretes com direito a show de calouros, que simbolizaram as mais variadas formas de utlilização do pano popular. Espelhos serviram como cenário para as musas boazudas do Velho Guerreiro, que também adotou a chita em seus espalhafatosos figurinos. Apresentação bem cuidada e bem ensaiada. No bom texto, o ator que representava Abelardo Barbosa, encaixava, de forma sutil, os nomes de todos os presidentes das escolas do grupo, numa apresentação simpática e que agradou.

Fonte: www.tudodesamba.com.br  

 

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