Para contar a relação dos brasileiros com a comida no enredo “Brasil, bom de boca”, a União da Ilha do Governador escolheu a obra da parceria de Ginho, Marcelão da Ilha, Flavinho Queiroga, Júnior, Thiago Caldas, John Bahiense, André de Souza e Prof. Hugo para ser seu samba-enredo no Carnaval 2018.

OUÇA AQUI O SAMBA DA ILHA PARA 2018
Cria do bairro, o compositor Ginho vence pela segunda vez na escola. O poeta já venceu no Boi da Ilha e Acadêmicos do Dendê e foi um dos compositores do samba de 2013 na União. Junior Nova Geração, também é bicampeão e estava na parceria de 2013. Marcelão da Ilha repete a façanha de vencer, uma vez que estava na parceria vencedora para o Carnaval 2017. Professor Hugo comemora a vitória pela terceira vez. Os demais integrantes venceram pela primeira vez. A parceria campeã levou para casa o troféu D´Samba/CARNAVALESCO.

Diante de muitas informações de que a União da Ilha está estagnada na crise, a final realizada nesta madrugada enterra diversas teses negativas sobre a escola. Com uma equipe forte mantida, a Ilha lotou sua quadra e após uma eletrizante apresentação de segmentos realizou uma final digna dos melhores momentos da história da escola. Três das quatro apresentações fizeram jus ao anseio de cada compositor de sonhar em ser o hino oficial da União da Ilha no próximo carnaval.

O presidente Ney Filardi preferiu não fazer discurso no anúncio do samba campeão e também não quis sair do camarote presidencial para atender aos jornalistas presentes na final. A nova rainha de bateria Gracyanne Barbosa não compareceu, já que será coroada no dia 7 de outubro.

O diretor de carnaval Wilsinho Alves prometeu, em entrevista ao site CARNAVALESCO, mais um grande desfile da Ilha em 2018.

– O público terá uma surpresa mais uma vez. Não é porque estamos falando de culinária brasileira que não estaremos bem vestidos, ou vestidos de galinha e frango assado, não tem isso. O Severo é um cara luxuoso, de extremo bom gosto. Os protótipos são fenomenais, vamos ter que manter ele na escola a duras penas, porque o sucesso da escola passa por ele. Vamos fazer a festa do protótipo dia 21 de outubro, já estamos na terceira alegoria no ferro, o ritmo de barracão esta muito bom apesar da crise – explicou.

‘Vitória dos mais fracos sobre os poderosos’, diz compositor campeão

A parceria de Ginho optou por um palco de peso. As potentes vozes de Tinga e Bruno Ribas fizeram a condução da apresentação na final. A torcida deu um autêntico show na exibição do samba na quadra, cantando muito forte desde os primeiros instantes. A melodia do trecho final da segunda do samba possibilitou que o refrão encontrasse uma explosão quando cantado.

O refrão do meio também se destacou. Mais uma vez, o intérprete Tinga enlouqueceu a quadra com sua atuação. Em uma disputa bastante acirrada o samba levou a melhor no canto da quadra, uma vez que conquistou a simpatia de importantes segmentos da escola, como as baianas, e o mestre-sala Phelipe Lemos, que cantaram o samba a plenos pulmões.

O compositor Junior Nova Geração possui trajetória ligada com a União da Ilha e o bairro. Fez parte do grupo que criou a escola de samba Nação Insulana, uma dissidência da tradicional Boi da Ilha do Governador. Na tricolor insulana, ele vence pela segunda vez, mas pela primeira vez sem uma junção de parcerias.

– É uma felicidade que não dá para mensurar. Tudo que eu falar será na teoria, pois ainda não caiu a minha ficha. Eu nunca participei de uma final tão difícil. A escola estava realmente indecisa e deixou a decisão para a final. Eu acredito que a melhor opção tenha sido o nosso samba. Acho a obra super equilibrada. Uma letra indireta, subjetiva, que complementa o que o carnavalesco vai mostrar na avenida. Além disso, temos uma melodia deliciosa, que não deixa o samba cair em nenhum momento e que vai fazer o componente cantar sem parar na Sapucaí. A comunidade abraçou o samba na quadra, por isso saímos vitoriosos – destaca.

O compositor Professor Hugo exaltou a Vitória da parceria. – É a vitória dos mais fracos sobre os poderosos. É a vitória do trabalho, da luta – desabafou.

Para o compositor Marcelão, a comunidade fez o samba vencer a disputa.

– Com as bençãos de Deus e dos meus orixás conquisto o meu bicampeonato. A emoção é ímpar, essa comunidade é linda demais. Quando ela abraça vai até o final. ‘Ilha, prepara a mesa que é dia de festa’ essa é a melhor parte do samba. Fizemos um samba subjetivo, exatamente como o Severo (Luzardo, carnavalesco) pediu e conseguimos conquistar a todos.

Severo Luzardo diz que andamento é bom no barracão

O carnavalesco Severo Luzardo revelou que o trabalho no barracão já está adiantado para o desfile de 2018, mas ressaltou as dificuldades devido a crise e ao corte de verbas.

– Estamos no terceiro carro e faltam apenas 2. Está tudo muito bem dentro do planejamento para 2018. Será um ano de dificuldades enormes – contou.

Apesar do belo desfile em 2017, Severo disse que não esperava muita repercussão do trabalho.

– Trabalho de maneira consciente e não tenho a pretensão de reconhecimento. Fico muito feliz que tenha acontecido.

Recém chegado no comando da comissão de frente, o coreógrafo afirmou ser uma honra estar na Ilha e que o namoro era antigo.

– A Ilha é uma escola muito querida. Há muito tempo que tem este namoro entre nós. A comissão fala muito de nobreza. Deste primeiro contato português com a alimentação no Brasil.

Crise econômica atinge Baterilha

Em conversa com a reportagem do site CARNAVALESCO, o experiente mestre Ciça contou que devido a conta da crise, a Baterilha sofrerá um corte de componentes para o Carnaval 2018.

– Por conta da crise haverá corte de pelo menos 40 ritmistas. Saímos com 300 e vamos com 260 ou 270 – comentou.

Ciça contou que o resgate da levada da bateria da Ilha continuará.

– Vamos continuar o resgate da bateria. Isto não vai parar nunca.

Ito espera ‘incorporar’ para fazer novos cacos em 2018

Um dos maiores cantores do carnaval, Ito Melodia brincou ao ser perguntado sobre os cacos (palavras que os intérpretes falam em cima da música) para o samba de 2018.

– Ainda não há um novo caco. Eu vou esperar as incorporações. Elas que vão dizer – brincou o cantor.

Sempre quando questionado pelo amor e dedicação a Ilha, Ito lembra da família, suas origens e, principalmente, seu pai Aroldo Melodia.

– A ideia é nunca sair da Ilha. Eu quero ter uma história igual a do meu pai. Ficar velinho cantando na Ilha.

Casal diz que busca ser o top do Grupo Especial

Após brilharem na Vila Isabel, o casal de mestre-sala e porta-bandeira Phelipe Lemos e Dandara Ventapane seguiu para Ilha e realizou um belo desfile em 2018.

– Nós somos um casamento que deu certo. Sem querer desmerecer ninguém, mas buscamos sim ser o casal top do Grupo Especial do Rio de Janeiro. Sempre procuramos inovar na dança para agradar não só os jurados, mas a todos que estão assistindo – disse Phelipe Lemos.

Dandara citou que a dupla vai intensificar os ensaios para o desfile do ano que vem.

– A partir de agora entramos na avenida tendo que manter a nota e se possível melhorá-la. A expectativa é grande para fazer um desfile ainda melhor do que já foi. É focar no trabalho que a nota máxima vem com certeza.

Análise das outras apresentações:

Parceria de Márcio André Filho: Rendimento do samba deixou a desejar no início da apresentação. Boa parte da torcida não cantou de maneira satisfatória apesar de Marquinhos Art’Samba ser o comandante do palco. Um grupo teatral fez uma coreografia à frente da torcida na primeira passada. Os torcedores trouxeram bolas verde e amarelas e bandeiras nas cores da escola. A torcida conseguiu fazer uma bonita festa plasticamente, com muitas bandeiras agitadas nos camarotes. Entretanto, o desempenho da composição não conseguiu ser convincente em nenhum momento. No terço final da apresentação apenas com o canto da torcida notou-se novamente a dificuldade no canto da torcida.

Parceria de Bigode: Com um samba bem adequado à característica histórica da União da Ilha, a apresentação se mostrou competitiva desde os primeiros momentos. Uma torcida bastante numerosa e que cantou o samba a plenos pulmões. O casamento com a Baterilha durante a apresentação chamou a atenção e valorizou consideravelmente a passagem do samba. Ao longo do restante dos 30 minutos de apresentação a obra foi conquistando toda a quadra e terminou com um desempenho excelente. O refrão foi o ponto alto da apresentação.

Parceria de Barbosão: Apontado pelos internautas do CARNAVALESCO como favorito para vencer a disputa, o samba apostou em uma grande torcida que enfeitou a quadra com muitas bolas e bandeiras nas cores da União da Ilha. Marquinho do Banjo, cria da casa, conduziu a apresentação com correção. Em um aspecto comparativo com outros sambas também candidatos ao título, ficou faltando a explosão e a conquista dos segmentos da escola. A apresentação não explodiu.

Fonte: Site Carnavalesco

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