A União da Ilha premiou a parceria de Myngal, Marcelão da Ilha, Roger Linhares, Marinho, Cap. Barreto, Eli Doutor, Fernando Nicola, e Marco Moreno vencedora do concurso de samba-enredo para o Carnaval 2019, quando terá o enredo “A peleja poética entre Rachel e Alencar no avarandado do céu”, desenvolvido pelo carnavalesco Severo Luzardo. A Ilha será a quarta escola a desfilar na segunda-feira de carnaval. A maior parte da parceria campeã foi formada pelos compositores vencedores no Carnaval 2017.

“Estou muito emocionado, sou morador, nascido e criado aqui e ainda não tinha ganhado um samba na Ilha. Já ganhei na Grande Rio, em outras escolas, mas aqui é diferente. Isso é a realização de um sonho. Um lugar que sempre frequentei com minha família, meus amigos… Minha mãe está aqui hoje. A emoção que estou sentindo não sei nem explicar”, contou Myngal, que apontou sua parte preferida no samba.

Eleito para comandar a Ilha, após a gestão de Ney Filardi, Djalma Falcão não esconde o trabalho árduo e elogia o antecessor.

“É uma responsabilidade imensa. Foi um grande gestor, arrumou a escola de uma maneira muito positiva. Nunca dá para fazer tudo, ele deixou um pedaço para eu fazer. Temos um dos melhores enredos do carnaval, de acordo com a mídia especializada, e espero ter o samba também bem avaliado”.

O dirigente também falou sobre o apoio do Ceará para o desfile e o samba-enredo de 2019.

“Temos parceria com o Ceará, por enquanto, não posso dizer que é um patrocínio. Em material, por exemplo, está sendo um grande parceiro. Os melhores sambas da avenida foram as que obtiveram as melhores colocações no desfile de 2018”.

O diretor de carnaval Dudu Azevedo chega na União da Ilha para comandar a direção de carnaval com muita vontade e já realizando mudanças na estrutura da escola. A disputa de samba foi mais curta. Realizada em apenas seis semanas.

“Deu para sentir na quadra o rendimento. O meu maior desafio é ter a Ilha figurando novamente nas primeiras colocações. Uma escola tão querida, tem estrutura para isso, tem comunidade. Tenho certeza que vamos fechar aquele portão com o sentimento de dever cumprido”.

Para o sucesso do desfile de 2019, a Ilha terá um número pequeno, quase zero, de alas comerciais.

“Só temos três alas comerciais na escola. São 26 alas de comunidade dentro do projeto. Temos uma ala nova, chamada prata da casa, que veio agora na gestão do presidente Djalma. Devemos fazer um ensaio na rua ainda em 2018, mas a partir de janeiro vamos para a rua usando os dois meses cheios até o carnaval. Até lá podemos usar o estacionamento de nossa quadra para treinarmos o cantos da comunidade”.

Ilha terá 10 mil peças artesanais do Ceará no desfile

O carnavalesco Severo Luzardo abordou a responsabilidade do desenvolvimento do enredo em 2019.

“Quando optei por colocar dois grandes poetas da literatura eu sabia do peso que estava dando. Temos de fazer um carnaval altamente politizado. Isso aumenta o esforço de estética. O projeto está muito bonito. O enredo foi trazido por cearenses para a escola e a Ilha topou. É muito interessante de se fazer do ponto de vista artístico. É brincante, te permite usar muita cor. Vai ser bem gostoso. O Ceará está nos dando vários tipos de apoio. Vamos receber 10 mil peças artesanais que serão enviadas diretamente para o nosso barracão. Isso dá uma sensação de pertencimento muito grande”, explicou o artista.

Com a saída de mestre Ciça para Viradouro, a Ilha apostou na prata da casa. Os jovens Keko Araújo e Marcelo Santos vão comandar a Baterilha em 2019. A dupla está confiante no sucesso.

“A parte que mais tranquiliza é o fato de ter vivido todo esse momento dentro da Ilha, desde o Paulão. Fui diretor do Ciça, responsável pela afinação. Aprendi muito com todos os mestres que por aqui passaram. Mas tenho noção da responsabilidade que é. A questão do ritmo que é o nosso carro chefe. Caixa embaixo tradicional da Ilha. O enredo ser nordestino também vai dar um molho interessante”, disse Keko.

A grande final da Ilha foi um acerto do início ao fim. Começando pelo horário de abertura da quadra (18h), passando pela apresentação dos segmentos, e terminando com o resultado às 2h da manhã, fugindo da louca tradição das escolas anunciarem seus sambas com o dia claro.

O diretor de carnaval Dudu Azevedo criou um espetáculo diferente, dentro do enredo e muito simbólico para a apresentação dos segmentos da Ilha. E a produção deu certo e fez sucesso. O casal de mestre-sala e porta-bandeira, Phelipe Lemos e Dandara Ventapane, estava em dois queijos separados no meio da quadra. Eles representaram José de Alencar e Raquel de Queiroz. A dupla narrou a apresentação de cada segmento.

“A Ilha é maravilhosa, desfilei em duas escolas do Especial, acho que já falei isso antes, mas aqui me sinto em casa, me sinto à vontade. O Ney me deixou muito à vontade, o Djalma me deixa à vontade, a minha comunidade me tem como um membro nascido aqui, sou muito feliz aqui dentro da Ilha”, disse o mestre-sala.

A porta-bandeira, que está grávida, e o bebê tem previsão de nascer em novembro, explica que tudo está correndo muito bem e que todo o cronograma será cumprido.

“A gente estava ensaiando e fazendo preparação física até agora, hoje participo da final e fico até o dia da gravação. Mas semana que vem já para de ensaiar e paro com as atividades físicas porque o bebê é pra novembro. Nesse período já é melhor ficar mais calminha, mais quietinha, porque a qualquer momento ele vem. Depois a gente retorna em dezembro só para os nossos ensaios, aos eventos de quadra volto em janeiro, quando também volto a ensaiar com peso. Dezembro será só pra coreografia, marcação mesmo”.

Novo responsável pela comissão de frente da Ilha, o coreógrafo Leandro Azevedo revela estar realizando um sonho ao ser contratado pela escola.

“Sempre quis, não tem como falar, não, nunca pensei em trabalhar na Ilha. Não tenho coragem de fazer nada mais ou menos. Sou União da Ilha, já desfilo pela escola, então, o amor e a dedicação já vem de anos. A comissão vai fazer aula de teatro e musculação também pra ganhar condicionamento físico. A comissão terá vários elementos, mas o tripé será usado só se for necessário. Já conversei com o Severo, que me deixou muito à vontade”.