Sobre a Ilha

Corria o carnaval de 1953 e três amigos, Maurício Gazelle, Orphilo Bastos e Joaquim Lara de Oliveira, tiveram a ideia de fundar uma escola de samba que congregasse os amigos que batiam uma bolinha no time do União, no bairro da Cacuia, Ilha do Governador. A ideia inicial era disputar os concorridos prêmios do carnaval insulano, que contava com escolas como a Unidos da Freguesia, Império da Ligação, Paraíso Imperial e Unidos da Cova da Onça. Nenhuma destas agremiações disputavam o carnaval no centro da cidade. Afinal, eram escolas simples e pobres, com cerca de 100 componentes e estrutura primária. Desfilar “na cidade”, acarretaria gastos que nenhuma destas podia arcar.
Uma assembleia, realizada no dia 7 de março de 1953 e composta por 59 fundadores, deu origem ao “G.R.E.S. União”. Maurício Gazelle foi eleito o primeiro presidente. A nova escola, que se reunia no armazém de Maurício para planejar os desfiles, teve um início de carreira avassalador. Em 1954, em sua estreia, conquista o título com o enredo ‘Força Aérea Brasileira’, em homenagem à força armada que ocupa grande parte do bairro com seus quartéis. As vitórias sucederam-se. Até 1959, conquistaria todos os títulos dos carnavais da Ilha, obtendo o hexacampeonato.
Com tamanho êxito, o passo natural seria a inscrição na Associação das Escolas de Samba, o que ocorreria em 1959, visando o carnaval seguinte. Assim, em 1960, estreia no Terceiro Grupo, na Praça Onze, agora já batizada como “União da Ilha do Governador”. Durante a década de 60, a União alternou bons e maus momentos, chegando a figurar no Segundo Grupo. Era uma escola pobre, que dependia apenas de contribuições de comerciantes, mas foi a única agremiação do bairro que reuniu condições de sobreviver. As concorrentes do carnaval da Ilha aos poucos foram morrendo e seus componentes integrando-se à União.
Em 1970 começa a ascensão da escola, que consegue o segundo lugar no terceiro grupo com ‘O Sonho de Um Sambista’, conquistando o direito de voltar ao Segundo Grupo. Firma-se nesta divisão, até que a conquista em 1974 com ‘Lendas e Festas das Yabás’, a leva para o desfile das grandes escolas em 1975. A estreia, embalada pelo belo samba ‘Os Confins de Vila Monte’, é boa. Consegue o 9o lugar entre doze concorrentes, ficando no Primeiro Grupo. Mas o grande impacto viria em 1977. ‘Domingo’ é classificado por vários especialistas como o melhor desfile já apresentado. Em uma época em que o desfile já se mostrava contaminado pelo vírus do gigantismo, o que se viu na passarela foi o contrário: em vez dos carros alegóricos gigantescos, pequenos tripés e muita simplicidade; foram utilizados carrinhos de pipoca reais, assim como um barco cedido pelo Ministério da Marinha. As fantasias, de simples concepção e sem luxo, condiziam perfeitamente com o enredo, que se destinava a narrar como é o dia da semana destinado ao descanso. Amanhecia o dia e os primeiros acordes da União da Ilha tomaram a Avenida: “Vem amor/ Vem à janela ver o sol nascer/ Na sutileza do amanhecer/ Um lindo dia se anuncia”. A reação da platéia foi imediata e a União da Ilha foi apontada como a grande favorita do carnaval de 1977. Mas o júri preferiu dar a vitória à Beija-Flor de Joãosinho Trinta, deixando a União da Ilha na 3a posição. O carnaval leve e alegre instituído pela carnavalesca Maria Augusta Rodrigues tornaria-se marca registrada da União da Ilha. Em 1978, outra vez a escola chega perto do campeonato com ‘O Amanhã’. Os enredos da escola, que apontavam por um caminho diferente das narrativas de feitos históricos que até então predominavam, eram curiosamente classificados de abstratos pelos concorrentes. A popularidade da escola cresceu. Em 1979, mais um grande desfile com o enredo ‘O que Será?’. O carnaval de 1980 sintetizou a breve história da escola mais simpática e brincalhona do carnaval carioca. O enredo ‘Bom, Bonito e Barato’ levou a União à melhor classifi cação em todos os tempos: o vicecampeonato.
Em 1982, outro grande momento com ‘É Hoje’, baseado na obra do cartunista Lan, famoso por retratar a alegria do carnaval. Este samba é um dos mais regravados da História, merecendo versões de, entre outros, Caetano Veloso e Fernanda Abreu. E também lançou um artifício que se tornou lugarcomum nos sambas da escola: o verso “A minha alegria atravessou o mar”, relativo à condição geográfica do bairro, seria recriado por vários anos, adaptando-se aos enredos que se seguiram. No mesmo ano, a União da Ilha deu um passo importante: inaugurou sua quadra, que até hoje é uma das maiores e mais confortáveis do Rio. Os ensaios da escola tornaram-se os mais concorridos e animados. Com isso, a escola passou a investir em sofisticação, tanto nas alegorias e fantasias quanto nos enredos. Carnavalescos renomados passaram pela União em busca do título inédito. Arlindo Rodrigues, em 1986, desenvolveu o enredo ‘Assombrações’, que levou a escola ao 5o lugar e à grande consagração popular. Max Lopes, em 1988, com ‘Aquarylha do Brasil’, conseguiu a 6a colocação.
Um porre de felicidade. Esse foi o carnaval de 1989, com o enredo ‘Festa Profana’. Relatando a história do carnaval, a União da Ilha fez uma apresentação impecável, levantando o público do Sambódromo. Além de fantasias e carros de belo acabamento que nada deviam às concorrentes em grandiosidade, trouxe um samba que caiu na boca do povo: “Eu vou tomar um porre de felicidade/Vou sacudir, vou zoar toda a cidade”. Em um dos carnavais mais equilibrados da História, a União chegou em 3o lugar, um ponto atrás da campeã Imperatriz.
Em 1991, a descontração estava de volta em ‘De Bar em Bar, Didi, um Poeta’. Com um samba de estrutura semelhante ao de 1989 e um refrão igualmente empolgante, a União da Ilha deixou a Avenida com gritos de “já ganhou”. Mas os jurados a colocaram em 9o lugar. Nos anos 90, a União da Ilha alternou bons e maus momentos. Em 1992, com ‘Sou Mais Minha Ilha’, fez um carnaval animado e com um samba que até hoje é cantado com muito amor pelo bairrista povo insulano. Em 1994, ‘Abrakadabra, o Despertar dos Mágicos’, do carnavalesco Chico Spinoza, arrebatou o público e levou a escola ao 4o lugar. Seria a última vez em que a tricolor insulana chegaria ao desfile das campeãs. O carnaval de 1998 marcou a estreia do carnavalesco Milton Cunha na escola. Vindo da Beija-Flor, apresentou o enredo ‘Fatumbi – Ilha de Todos os Santos’, sobre a vida do fotógrafo francês Pierre Verger. Mas, no ano seguinte, Milton viveu a maior emoção de sua vida e a escola passou por um de seus momentos mais difíceis. Um incêndio a menos de 20 dias do carnaval destruiu por completo o barracão, na Av. Venezuela. O que se seguiu foi um emocionante episódio de amor à escola: um verdadeiro mutirão tomou conta da quadra e do novo barracão para reconstruir, em tão pouco tempo, o que o fogo destruiu. Cada pessoa se dedicou da forma que pôde e a União da Ilha estava, a uma semana do desfile, com seu carnaval refeito. Quando se pensava que tudo estava pronto, mais um golpe: uma tempestade destruiu grande parte das alegorias, que estavam em um terreno. Um novo mutirão foi feito. E, contrariando todas as previsões, a União da Ilha pisou forte na avenida e homenageou o jornalista Barbosa Lima Sobrinho.
Em 2001, o maior revés da história da União da Ilha: o rebaixamento para o Grupo de Acesso. Com o enredo ‘A União faz a força, com muita energia’, a escola enfrentou problemas com alegorias e fantasias e fez um mau desfi le, apesar de ter um dos mais belos sambas do ano. No Grupo de Acesso, uma nova luta: voltar ao Grupo Especial. No carnaval de 2003, a escola saiu da Avenida consagrada. O desfile sobre Maria Clara Machado, concebido por Paulo Menezes, encantou público e mídia, mas os jurados deram o título à São Clemente. Em 2006, a história se repetiu: mais um desfile consagrador com ‘As Minas Del Rei São João’, de Jack Vasconcelos. E, infelizmente, ainda não seria dessa vez que a União conseguiria convencer o júri.
O dia 21 de fevereiro de 2009 entrou para a história da União da Ilha do Governador. Sexta escola a desfi lar na Marquês de Sapucaí, no sábado de carnaval, a Ilha contagiou a Avenida e fez um desfi le empolgante, com o enredo ‘Viajar é preciso: Viagens extraordinárias através de mundos conhecidos e desconhecidos’, desenvolvido pelo carnavalesco Jack Vasconcellos, e sagrou-se campeã do Grupo de Acesso. Durante a apuração ocorrida na Praça da Apoteose, na Quarta-Feira de Cinzas, a União da Ilha conquistou nota 10 em quase todos os quesitos. O sonho de retornar ao Grupo Especial após oito anos no Acesso, tornava-se realidade. A comunidade insulana, enfim, pôde soltar o grito de “É campeã!”.
Após oito anos no Grupo de Acesso, a União da Ilha voltou ano passado, à elite do carnaval carioca, com o enredo “Dom Quixote de La Mancha: O Cavaleiro dos Sonhos Impossíveis“, assinado pela carnavalesca Rosa Magalhães. Com um samba-enredo considerado pela crítica especializada um dos melhores de 2010, a escola emocionou o público com sua tradicional alegria, leveza e colorido. Com o 11º lugar, a União da Ilha quebrou também um tabu que já durava alguns anos, quando a escola que vinha do Grupo de Acesso no ano anterior, acabava sendo rebaixada no primeiro ano que retornava ao Grupo Especial. Como dizia um trecho do samba: “Vesti a fantasia, fui à luta Venci manadas, rebanhos...”
Em 2011, mesmo não sendo julgada devido ao incêndio em seu barracão (faltando um mês para o carnaval), a União da Ilha do Governador levantou a Marques de Sapucaí, com um desfile digno de campeã, sendo ovacionada pelas arquibancadas e camarotes. O carnavalesco Alex Souza, atrás do último carro alegórico, sambava emocionado e era abraçado a todo momento por componentes e diretores. O fogo não esfriou a alegria da escola e não tirou o impacto do conjunto do enredo "O mistério da vida", sobre a teoria da evolução de Darwin. UNIÃO DA ILHA É ACLAMADA NA FESTA DO ESTANDARTE DE OURO. Realizada no dia 19 de março de 2011, numa casa de shows, na Zona Sul, do Rio de Janeiro, a cerimônia de entrega dos troféus do Estandarte de Ouro (edição número 40) foi uma noite de muitas palavras, com destaque para uma: superação. O prêmio principal, de melhor escola, foi para a União da Ilha do Governador, uma das agremiações prejudicadas por um incêndio na Cidade do Samba a um mês do desfile. Grande vencedora da noite, a União da Ilha levou para casa três prêmios. Além da melhor escola, ganhou ainda o melhor enredo e seu intérprete, Ito Melodia, foi vencedor no quesito pela segunda vez consecutiva. De fora da competição oficial da Liesa devido ao incêndio, a agremiação se destacou pela garra e disposição dos componentes.
Oitava colocada em 2012, a União da Ilha do Governador ousou; misturou chá com cachaça e levou para avenida, o enredo "De Londres ao Rio: Era uma vez uma... Ilha", assinado pelo carnavalesco Alex de Souza. A comissão de frente “Deus Salve a Ilha”, coreografada pelo competente Sergio Lobato, levou o "Estandarte de Ouro" (tradicional prêmio do jornal O Globo), para a agremiação insulana. A comissão fez demostrações com uma carruagem representando um cortejo inglês e teve a ilustre presença da carnavalesca Maria Augusta, caracterizada como Rainha Elizabeth e do gari Renato Sorriso.
Com o enredo 'Vinicius no Plural. Paixão Poesia e Carnaval", a União da Ilha do Governador comemorou os seus 60 anos de fundação na avenida prestando uma grande homenagem ao poeta Vinicius de Moraes e terminou o carnaval de 2013, na nona colocação, ao somar 294, 9 pontos. A Ala Melodia foi a vencedora do Estandarte de Ouro de melhor ala do carnaval carioca de 2013 com a fantasia: Meninos da Ilha.
A União da Ilha está de volta ao desfile das campeãs, após 20 anos. Com o enredo "É brinquedo, é brincadeira. A Ilha vai levantar poeira"!, a escola terminou na quarta colocação entre as 12 agremiações do Grupo Especial. A festa pela brilhante colocação começou no Sambódromo, logo após a última nota, e varou a madrugada na quadra completamente lotada. Dois estandartes de ouro A União da Ilha ganhou o Estandarte de Ouro (Jornal O Globo) de melhor enredo, com "É brinquedo, é brincadeira: a Ilha vai levantar poeira!" de assinatura do carnavalesco Alex de Souza e de revelação do desfile 2014 para Marcinho, mestre-sala de nossa agremiação. Ilha sobe no ranking da Liesa Com o quarto lugar obtido de forma merecida no carnaval de 2014, a G.R.E.S. União da Ilha do Governador, subiu no ranking da Liesa e, passou da 10ª colocação (até então empatada com a Porto da Pedra), para a 9ª colocação, com 15 pontos, ultrapassando a Mocidade Independente de Padre Miguel.
A União da Ilha ironizou o culto à perfeição estética e levou muito humor para a Sapucaí. A escola foi a quarta a desfilar na madrugada de segunda para terça-feira, e terminou na nona colocação.
A União da Ilha do Governador trouxe as cores azul, vermelho e branco para o desfile do enredo "Olímpico por natureza. Todo mundo se encontra no Rio". Cadeirantes acrobatas na comissão de frente foram destaque da agremiação, além de uma grande ala de tipos cariocas, a escola contou como o Rio conquistou os deuses do Olimpo que vieram conhecer a cidade das Olimpíadas 2016. Os paradões da bateria do mestre Ciça também animaram o público. O intérprete Ito Melodia e a Ala "Cariocas são Dourados" levaram o estandarte de ouro. A Ilha terminou na décima primeira colocação.

Ficha Técnica

Presidente: Ney Filardi
Vice-Presidente: Djalma Falcão
Carnavalesco: Severo Luzardo
Enredo 2018: "Brasil Bom de Boca"
Cores: Azul, Vermelha e Branca
Presidente de Honra: Paulo Amargoso
Diretor de Carnaval: Wilsinho Alves
Diretor de Barracão: Luis Carlos Riente
Mestre de Bateria: Ciça
Rainha de Bateria:
Diretor de Harmonia: Válber
1º Mestre-sala e porta-bandeira: Phelipe Lemos e Dandara Ventapane
2º Mestre-sala e porta-bandeira: Rodrigo França e Winnie Lopes
Intérprete: Ito Melodia
Representante da ala das baianas: Tia Bené
Representante da ala dos compositores: Jorge Rodrigues
Representante da velha guarda: Jurema
Coordenador dos projetos sociais: Sergio Fabri
Coreógrafo da comissão de frente: Marcio Moura
Assessor de Imprensa: Cesar Nogueira
Chefe das alas de comunidade e comercial: Eduardo Chagas
Departamento Comercial: Otávio Paranhos
Departamento de Projetos Especiais: Marco Antonio Barizon
Departamento de Eventos: Sérgio Montresor
Departamento de Marketing: Gustavo Siqueira
Departamento de E-commerce: Mauricio Filardi
Departamento de WEB: Felipe Goulart
Departamento Feminino: Sonia Ferraiolo
Departamento Jurídico: Dr. Jacy Adad
Diretora da Ala de Passistas: Andreia