| Para
muitas pessoas, Carnaval é um momento de alegria e diversão,
mas para Noêmia Laura Bastos, de 76
anos, popularmente conhecida como Tia Noêmia, antes da grande
festa existe um trabalho muito sério. Nossa Raiz da Ilha de
julho não freqüenta apenas a quadra da União; ela
literalmente respira aquele lugar: “Estou aqui todos os
dias, chova ou faça sol”.
Tia
Noêmia teve participação ativa na fundação do Grêmio
Recreativo Escola de Samba União da Ilha do Governador,
juntamente com seu falecido marido, Orphilo Bastos, fundador número
dois da escola e primeiro diretor de bateria. Com ele, Noêmia
teve três filhos: Marta, Marcos e Jorge, que lhe deram cinco
netos: Bianca, Orphilo Neto, Beatriz, Simone e Vanessa. Este mês,
ela será presenteada com o nascimento de seu primeiro
bisneto.
Nascida
na Rua Iaco, número 75, de parteira, Noêmia logo começou a
respirar os ares do samba, já que sua família inteira já
fazia parte da tricolor insulana. “Recordo-me que a Rua Iaco
era toda de barro, não tinha movimento de carros. Era um
lugar bem agradável.
Hoje
em dia temos o Supermercado Mundial, que traz bastante
movimento tanto para a rua, quanto para o Cacuia”.
Com
uma infância muito humilde, Noêmia sempre teve que ajudar
seus pais nas despesas da casa, fazendo salgadinhos, bolos
para casamentos e trabalhando como empregada doméstica. Nas
horas vagas, freqüentava o campo do União Futebol Clube para
acompanhar o time da casa, mas, na verdade, a torcida mesmo
era para um tal de Orphilo, que viria a ser seu namorado e com
quem se casaria mais tarde.
Do
romance com Orphilo veio a ligação com o samba, já que, em
7 de março de 1953, depois de uma reunião entre jogadores do
União, o time de futebol transformou-se em escola de samba. E
lá estava Noêmia participando e opinando, juntamente com
Maurício Gazele – o primeiro presidente –, Orphilo e
outros componentes do extinto time.
Tia Noêmia foi a primeira baiana da União da Ilha e
atualmente coordena essa ala na escola.
“Acredito
que as mulheres estão desistindo de desfilar devido ao peso
das fantasias e também por se tratarem de senhoras com mais
idade”.
No
mundo do samba, Noêmia possui muitas recordações, entre
grandes desfiles e algumas gafes, mas, com uma bagagem como a
dela, história é o que não falta. “Lembro-me de uma vez
que faltaram chapéus em algumas fantasias das baianas.
Decidimos então jogar todos os chapéus fora e desfilar na
avenida sem nada na cabeça. No fim deu tudo certo, apesar de
eu ter chorado rios de lágrimas durante a preparação”.
Atualmente,
Noêmia se dizia chateada
com a situação em
que a
União da Ilha
se encontrava, mas com um grande
sorriso no rosto e o bom humor de sempre, ela está sempre
disposta a ajudar.
O
QUE MUDOU PARA MELHOR: As construções comerciais e
residenciais que se espalharam por todo o bairro. Antigamente
só tinha mato.
O
QUE MUDOU PARA PIOR: O aumento da violência. Antes, as
pessoas andavam sossegadas a qualquer hora do dia ou da noite.
Hoje não se tem mais essa tranqüilidade.
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